HeavenHell episódios

     33° - Em busca da Erva Prateada - Segunda parte: Sol e Lua.
  A Elfa inclinou a cabeça e deu pequeno sorriso.
  -Prazer, forasteiros – ela disse – Meu nome é Lua. Sou uma sacerdotisa guardiã deste templo.
  Nós nos aproximamos dela e nos apresentamos.
  -Você é sacerdotisa desse templo? Há quanto tempo está aqui puro sangue? – Noahw perguntou.
  -Desde que nasci. Isso fora a uns duzentos e quarenta e sete anos atrás... Mais ou menos. Conheço este lugar de ponta a ponta – ela disse fazendo cara de pensativa.
  -Que ótimo. Você pode nos ajudar! Estamos procurando a erva prateada, e francamente, eu quero sair deste lugar o mais rápido possível – Millia disse falando como se tudo aquilo fosse uma tortura.
  -Então – Kazuma disse – Em quê precisa de ajuda?
  -Necessito da ajuda de vós para salvar minha irmã.
  -O que houve com ela? – Saito perguntou.
  -Vou contar-lhes toda a história. A cento e oitenta anos atrás, esse templo fora construído para plantações de ervas medicinais. Eu e minha irmã, Sol, fomos designadas para a proteção dele desde nosso nascimento. Nós ajudávamos as plantas a crescerem controlando o tempo aqui dentro e curávamos Elfos doentes ou envenenados... Isso até a chegada de uma estranha mulher no vilarejo. Ela não era uma Elfa e o seu corpo emanava uma aura estranha.
  -Era uma Sombria – Noahw deduziu e Lua concordou.
  -Assim como você – ela disse e continuou:
  -Ela tinha poderes obscuros que, na época, não soubemos o que era. Assim que ela apareceu às pessoas começaram a ficar cada vez mais doentes. Nossas ervas não conseguiam curá-las e muito menos nossas magias. Então, eu e Sol, decidimos criar um novo tipo de erva que fosse forte o bastante para acabar com aquela estranha doença. Ficamos meses até conseguirmos criar a Erva Prateada, que é eficaz com doenças e envenenamentos.
  “Conseguimos salvar a pequena parte das pessoas que não faleceram com a doença, e conseguiram suportar até a erva ser criada. Aos poucos estávamos conseguindo retomar o controle sobre a epidemia, mas então... A Sombria decidiu matar todos de uma só vez. Ela mutilou o restante dos Elfos que esforçamos tanto para salvar. Eu e a Sol vimos os corpos rasgados e banhados a sangue, jogados por todo o templo. Quando chegamos à estufa, que fica no centro desde labirinto, a feiticeira estava lá, nos esperando. Ela não se deu ao trabalho de matar-nos, apenas invocou um monstro que pegou a Sol, já que parte dos meus poderes provém dela, e destruiu boa parte de nossa erva, sobrando apenas uma muda.”
  “A Sombria fora embora sem me matar, e como minha irmã está no templo eu não posso sair daqui sem ela... Tenho que salvá-la.”
  -Por que durante todo esse tempo que ficou aqui, não tentou salvar sua irmã por conta própria? – perguntou Saito.
  -Eu e Sol somos gêmeas. Nossos poderes, erroneamente provem dos próprios astros: Sol e Lua. A minha irmã nasceu primeiro, e como o nome diz, os poderes dela vem do sol. O sol é uma estrela que tem luz própria, ou seja, minha irmã possui sua própria fonte de magia, mas eu sou diferente. Minha magia vem da lua, e a luz da lua vem do sol, portanto meus poderes vêm de minha irmã. Não posso ir lutar com o monstro sozinha porque ele se alimenta de magia, e está se alimentando da minha irmã, e ao mesmo tempo de mim também. A cada dia que passa fico cada vez mais fraca e o monstro, mais forte. Se lutasse provavelmente morreria e não adiantaria nada.
  -Nossa esse monstro tem sugado a magia da sua irmã desde que a capturou? – perguntou Reiki e Lua afirmou.
  -Se salvarem minha irmã, eu garanto que poderão levar a última muda da erva – Lua garantiu-nos.
  -Então já podemos ficar sossegados... A Lua vai nos servir de guia, já que conhece o templo e tudo que temos que fazer é derrotar um monstro... A gente dá conta – Saito disse aliviado colocando os braços para trás.
  -Será que por aqui não tem nenhuma fonte? – Noahw perguntou.
  -Tem. O riacho no lado leste ainda não secara – Lua disse.
  -Vamos dar uma descansada perto dele e nos preparar para lutar. Por onde seguimos para chegar até ele?
  -Por aqui – Lua disse começando a descer da ponte e a andar pelos corredores do labirinto. Não demorou muito e já podíamos ouvir o barulho do riacho. Eu particularmente estava com bastante sono. Desde que chegamos a Elven Fortress nós não descansamos antes de entrarmos no templo, e ninguém protestou com a sugestão de Noahw de descansarmos primeiro antes de nos meter com um monstro.
  O riacho ficava ao lado de uma escadaria que dava para perto do topo de uma cachoeira. Na base alta da escadaria tinha uma pequena ruína de um forte, em que o teto era circular. Lua disse que seria bom pernoitarmos dentro dele. Era um ponto alto e não precisávamos nos preocupar com o monstro enquanto dormíamos, pois ele nunca deixara a estufa.
  Dentro do forte só tinha algumas estátuas de Elfos nas paredes e um pequeno altar. Ele era todo de prata e faltava um pedaço da parede e do telhado no lado esquerdo. Noahw começou a abrir a mochila que carregava desde que saímos de Paravel, e cada um foi se amontoado da maneira que pode.
  -Vou pegar alguns galhos secos para fazermos uma fogueira – Kazuma disse e desceu a escadaria até os muros do labirinto, onde tinha galhos secos à vontade.
  -Vai avisar a sua noiva sobre a situação? – Saito perguntou a Noahw.
  -Vou. Estou procurando o prendedor de cabelo dela – Noahw afirmou ainda remexendo em sua mochila – Achei! – ele disse erguendo o prendedor que Khurea usava. Ele é uma jóia vermelha ornamentada com ouro e com duas penas de ganso na parte de trás.
  -Magia de localização? – perguntei sentando-me ao lado deles. Eu aprendi essa magia quando treinei com o velho Rokujugo.
  -É – Noahw disse produzindo uma chama e jogando o prendedor de Khurea dentro dela - Show. Show hujus viri videre volo. Direct Link – ele disse acrescentando a frase “ligação direta” nas palavras da magia. Isso significa que a Khurea poderia ver a magia dele e conversar com ele. Quando eu executei a magia, não disse essa parte para poder espionar a Khurea e a Nanami sem que elas soubessem.
  Logo a chama tremeluziu e o rosto de Khurea apareceu. Ela estava um pouco pálida.
  -Até que enfim! Já era hora, estava começando a ficar preocupada com vocês – ela reclamou ao nos ver.
  -Como está o Dan? – Noahw perguntou.
  -Estou conseguindo manter o corpo dele no mesmo estado em que o encontramos, mas ele está começando a desfalecer mais rápido. Acho que o veneno se fortificou um pouco. Não sei direito. Vocês estão tendo sucesso na busca?
  -Encontramos uma Elfa que é uma antiga guardiã do templo. Vamos ajuda-la a salvar sua irmã e em troca pegaremos a erva. Ela conhece bem esse lugar então não ficaremos perdidos, o que já é meio caminho andado.
  -Que ótimo! Fico mais aliviada sabendo que não ficarão perdidos.
  -Como está a Nanami? – perguntei. Khurea me olhou surpresa com minha pergunta.
  -Ah, ela está bem. O ferimento dela logo estará totalmente fechado – Khurea disse sorrindo – No momento ela está dormindo. Ela quis ajudar a Dona Rosa com o bar, então ficou bem sobrecarregada.
  -Você está um pouco pálida – Noahw disse com preocupação.
  -É apenas cansaço, não se preocupa. É que estou usando muita energia para manter o corpo do Dan estável. O Naitoh e a Nanami não conseguem executar uma magia de nutrição, então acabou sobrando pra mim. Não demorem muito... Por favor. Não sei por quanto tempo vou conseguir manter.
  -Tentaremos ser rápidos – Noahw prometeu, mandou um beijo de despedida e então cancelou a magia. O prendedor de Khurea caiu no chão, soltando uma leve fumaça e Noahw o ficou o observando com preocupação nos olhos. Acho que ver Khurea pálida se esforçando ao máximo o deixou realmente preocupado.
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  Narração diferencial: Pensamentos de Kazuma
  Desci pela escadaria e fiquei atrás de uma das paredes do labirinto, onde o restante do grupo não pudesse me ver. Tirei de dentro do bolso uma bola de gude preta, joguei no ar e ela se expandiu, até aparecer o rosto de Heisuke.
  -Kazuma! – ele gritou.
  -Shhhhh!!! – eu coloquei o dedo na frente da boca pra repreender o grito – Não fale alto, por favor!
  -Ah, desculpa. Como está indo na missão? – ele perguntou.
  -Não muito bem. O Noahw está muito desconfiado comigo, parece até que ele sabe que logo serei sombrio.
  -Onde vocês estão agora? – ele perguntou.
  -Ah, estamos dentro de um templo antigo do clã de Dethek. Esse lugar é pior que a nossa base!
  -Duvido muito.
  -Estamos procurando a Erva Prateada pra ajudar o filho daquela Senhora. Como está indo protegendo a novata? – perguntei.
  -Muito bem. Ela é interessante. Kayto tem interesse na linhagem dela. Ele espera logo possuir o Sasuy também porque a Miyuke está praticamente no papo. Logo ela será submetida às Ayakashi.
  -Tão rápido assim?
  -Pois é. Ela matou a Kaguya hoje sem dó nem piedade alguma – Heisuke contou.
  -Matou a Kaguya? Como o Kayto ficou quando soube?
  -Extremamente orgulhoso – Heisuke disse sorrindo e parecia que sentia orgulho também – Ela tentou se desculpar, mas ele ficou tão animado que nem deu tempo dela fazer isso. A Kaguya também era um saco. Aquela vagina dela já deveria ter passado da validade.
  Comecei a rir.
  -Que coisa maldosa.
  -Mas não deixou de ser verdade – ele disse.
  -Ela sabe que vocês a querem transformar em possuída? – perguntei.
  -Não. Nem tive como falar isso a ela. Na verdade nem sei como dizer – ele disse um pouco cabisbaixo.
  -Você não quer que ela seja possuída, certo? – perguntei.
  Ele suspirou.
  -Gostaria que a personalidade dela ficasse como está, mas sempre tem aquele risco de acabar sendo distorcida.
  -Você gosta dela? – perguntei assustado.
  -Ah, um pouco. Não sei... – ele respondeu com confusão.
  -Só quero ver o que ela vai dizer quando descobrir que na verdade somos inimigos dela e do irmão. Ela não vai querer nem olhar pra você.
  -Acha que não penso nisso?
  -Você pensa em deixar a base por causa dela? – perguntei curioso.
  -Mas é claro que não idiota! – ele disse com raiva.
  -Tá bom, não se estressa.
  -Você descobriu alguma coisa do grupo? – ele perguntou.
  -Não. Só reparei que o Sasuy sempre fica observando a Khurea. Parece até que ele gosta dela... – respondi pensativamente.
  -Já é um começo. Ela pode até ser o ponto fraco dele. Talvez se conseguirmos capturar a Khurea ele viria a procurá-la – ele pensou.
  -E o Noahw também, já que é noivo dela.
  -Seria os três que o Kayto quer de uma vez só. Eu vou avisá-lo. Se descobrir mais alguma coisa me avisa, o.k.?
  Heisuke fechou a magia e eu peguei a bola negra volta. Fui catar alguns galhos secos antes de voltar ao forte em ruínas.
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  Narração Normal: Pensamentos de Sasuy.
  Arrumamos os sacos de dormir e estávamos esperando o Kazuma trazer os galhos secos para fazermos uma fogueira. Logo ele chegou à porta do forte carregando uma pilha de galhos.
  -Acho que peguei bastante – ele disse jogando os galhos no chão.
  Noahw estalou os dedos e jogou uma faísca em cima dos galhos, que logo cresceu iluminando as ruínas do forte.
  -Sasuy... – Saito começou a dizer para mim enquanto Kazuma se sentava ao meu lado – Sabe eu posso estar errado, mas... Tem alguma coisa em você bem diferente. De onde você é?
  Suspirei fundo.
  -Eu vim da terra – respondi – Abri um portal acidentalmente pra cá.
  -Mesmo? – ele perguntou espantado – Puxa, bem que reparei algo diferente, mas nunca imaginaria essa possibilidade... Então você tem magia? Deve ser Hibrido como nós, porque humanos de raça pura não possuem magia.
  -É... A minha mãe com certeza é humana, mas não cheguei a conhecer meu pai.
  Ele franziu o cenho e ficou um pouco em silêncio.
  -Você está buscando voltar? – ele perguntou e eu afirmei.
  -Estamos procurando pelo Kratos, que criou a magia dos portais.
  -Vai ser uma busca cansativa... Ninguém o vê há anos, alguns até acham que está morto.
  -É apenas uma possibilidade – disse.
  -Sente saudades da sua família? – ele perguntou.
  -Nem tanto. Eu não passava muito tempo com a minha mãe, então ela não me faz tanta falta. Só sinto um pouco de saudades da minha irmã – respondi. Enquanto conversávamos, Kazuma nos observava pelo canto do olho e prestava atenção a cada palavra, desde que eu mencionara que tinha uma irmã. O olhar dele era bastante perturbador.
  -Qual o nome dela? – ele perguntou.
  -Myuke.
  -Nome bonito. Ela tem magia também? – ele perguntou e eu parei pra pensar.
  -Não sei... – disse de cenho franzido – Nunca parei pra pensar nisso.
  -Se você possui magia, é bem capaz dela possuir também. Que classe é a sua?
  -Yonsei.
  -Hun... Como ela é? De personalidade...
  -Ah, bastante chata na maioria. Quando quer ela é bem amável e gentil. Seu defeito é que é metida de mais e nunca confia em sua capacidade. Ela é bastante inteligente, mas não consegue se virar sozinha então eu tenho que ajudá-la na maioria das vezes.
  -Vocês tem um bom relacionamento? – ele perguntou. Demorei um pouco pra processar a pergunta. Eu fiquei observando Kazuma e a media que falávamos mais e mais de minha irmã, ele ia ficando estranho. Ele colocou as mãos nos ouvidos como se ouvir aquela conversa fosse insuportável, e seu corpo tremia. Saito não pareceu reparar... E muito menos os outros.
  -Hãn... Como todos os irmãos nós temos as nossas desavenças. Nossas brigas memoráveis – eu disse sorrindo enquanto lembrava-me dos xingamentos, das puxadas de cabelo, dos gritos – Mas eu a amo muito, sabe... E faria qualquer coisa por ela. Se ela tiver realmente algum tipo de magia, eu fico feliz em saber que ela desconhece isso e está a salvo na Terra. Aqui eu sei que posso morrer a qualquer momento. Pelo menos a mantenho livre disso.
  Depois que terminei de falar, Kazuma tremia freneticamente. Saito também começou a reparar e aos poucos, todos os olhares estavam voltados para ele, até mesmo o de Lua.
  -Eu não posso continuar a fazer isso... Não posso – ele começou a sussurrar.
  -Kazuma... – chamei – Você está bem?
  Ele virou seus arregalados olhos azuis para mim.
  -Não eu não estou. A consciência me pesa! Por isso nunca passo das missões. Que merda! Por quanto tempo continuarei a ser fraco? – ele disse como se fosse um pensamento para si mesmo, só que em voz alta.
  -Acho que ele está começando a delirar – Saito comentou.
  -Você tem que salvar sua irmã Sasuy... Antes que a transformem em algo que não tem volta – ele disse.
  -Salvar minha irmã? – perguntei ainda sem entender – A minha irmã está na Terra sã e salva. Não tem nada do que salvá-la.
  Kazuma sorriu com desdém.
  -Ai é que você se engana... Sua irmã está correndo mais perigo do que você.


Por: Tâmara Lopes
Obrigada por ler e espero que tenha gostado